Pesquisadores analisam impactos das mudanças climáticas no semiárido brasileiro

Segundo o IPCC, temperatura deve subir até 5°C no semiárido, o que coloca a região como a mais severamente afetada pelo aquecimento global no Brasil.
por ASCOM - publicado 27/09/2017 15h40. Última modificação 17/05/2019 16h17.
Pesquisadores analisam impactos das mudanças climáticas no semiárido brasileiro

Temperatura deve subir até 5 graus no semiárido em decorrência das mudanças climáticas. Fonte: Embrapa

Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo um estudo para mapear os impactos das mudanças climáticas no semiárido, onde a temperatura deve aumentar entre 2°C e 5°C até 2100, segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Essa previsão coloca o semiárido como a região do Brasil mais gravemente afetada pelas mudanças no clima.

O estudo foi feito em 310 municípios pela Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), um programa do governo federal que conta com a participação de dezenas de grupos de pesquisa de universidades e institutos do país para responder aos desafios das mudanças climáticas no país. A expectativa dos pesquisadores é traçar os impactos do aquecimento global na disponibilidade hídrica, energética e alimentar na bacia do rio São Francisco, inclusive, a possibilidade de desertificação de grandes extensões do semiárido.

No Brasil, as áreas suscetíveis à desertificação correspondem a 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Desse total, 180 mil km2 já apresentam degradações nos graus grave e muito grave – grande parte dessa área está concentrada no semiárido nordestino. Ao todo, o processo abrange 1.488 cidades, e 36 milhões de pessoas serão diretamente afetadas.

“O processo de desertificação mostra-se deletério para a população local e sistemas naturais, sendo geralmente acompanhado por processos de salinização e erosão dos solos, levando à perda de produtividade agrícola como um de seus principais impactos. É importante ter em mente que a desertificação é um processo complexo, no qual o clima é um dos fatores, mas outros aspectos ambientais e de uso também entram na equação”, explica o pesquisador Saulo Rodrigues Filho, coordenador do estudo.

Ele lembra que, ao reduzir a produtividade agrícola, por exemplo, a desertificação ameaça a segurança alimentar e hídrica das populações locais.

Impactos socioambientais

O aquecimento global também deve agravar o quadro de grave estiagem que o semiárido enfrenta há cinco anos, comprometendo a disponibilidade hídrica e, consequentemente, a produção de energia hidrelétrica. “Em nossa pesquisa, pretendemos ter um entendimento socioambiental das mudanças climáticas e como elas impactam as frentes de água, energia e alimento. Nosso objetivo é integrar a questão hídrica, alimentar e energética.”

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